Chega agora uma epoca critica no diz que respeito a abandonos, peço-vos para não abandonarem os vossos animais! Acontece mais do que aquilo que se pensa, aposto que muita gente diz que nunca na vida no entanto quando a situação aperta a primeira coisa que fazem é se verem livres do "objecto", porque sim, quem faz isto vê o animal como um simples objecto. Acredito tambem que existam pessoas que abandonam os animais na altura das ferias para quando voltarem irem comprar outros! É absurdo, mas é real.
Se as pessoas não tiverem capacidades para terem animais não os tenham! É simples. Se forem de ferias arranjem alguem que tome conta deles ou então arranjem um hotel para eles, isto se não for possivel os levar para ferias, que é o ideal. Ou então, se não conseguirem nenhuma das hipoteses anteriores, é simples.. fiquem em casa! Se um filho vosso estiver doente tambem não o vão abandonar em periodo de ferias, certo?
Claro que isto não acontece só na epoca de ferias, infelizmente acontece durante todo o ano.
Deixo alguns conselhos para quem quer melhorar a situação:
- Não comprem animais, adoptem! Existem cães e gatos de todas as raças, idades, cores e tamanhos a vossa espera num canil/gatil ou numa associação. Muitos animais que estão para adopção são muito gentis, só querem é uma oportunidade. Claro que se quiserem animais mais exoticos vão ter que comprar ou procurar alguem que os dê, no entanto sugiro sempre a procurarem criadores responsaveis. Se mesmo assim quiserem comprar um cão ou um gato evitem compra-los nas lojas de animais, ao contrario do que a maior parte das pessoas pensa as lojas de animais não sabem tratar dos mesmos, para eles são apenas meros produtos. Enquanto as pessoas continuarem a compra massiva destes mesmos em lojas sem condições vão continuar sempre a existir animais mal tratados nas lojas. Acreditem amigos, isto é mais comum do que imaginam, basta ter os conhecimentos minimos sobre a especie em questão e... se possivel protestem, mas isto tambem já são conversas para outra altura, e não.. as inspecções não funcionam.
- Esterilizem o animal, não faz sentido deixar os vossos cães e gatos terem ninhadas se depois não vão ter donos para tratarem deles, ou se tiverem pensem que essa pessoa pode não ser como vocês e pode negligência-lo ou mesmo abandona-lo. Muita gente deixa os animais procriarem e na altura das ninhadas vão entregar a associações, é ridiculo! As associações normalmente já se encontram aflitas com a quantidade de animais abandonados a espera de lar. Além do mais a esterilização tem beneficios para a saude, principalmente nas femeas onde se podem evitar cancros, que são comuns no seu sistema reprodutor. Além do mais a esterilização tem uma vantagem, normalmente o animal fica mais caseiro e afectuoso, logo as tentativas de uma fuga são bastante menos frequentes. No caso dos machos deixam de marcar tanto o territorio.
- Divulguem a palavra aos vossos amigos e conhecidos porque as pessoas têm que começar a ver os animais como filhos e não objectos, só assim se vai conseguir reduzir este problema.
- Se possivel ajudem os animais que estão na rua e nas associações.
Bem amigos, existe muitas coisas mais a dizer sobre este assunto, mas isto já se esta a prolongar e o meu objectivo inicial era colocar apenas um texto fictício sob o ponto de vista de um cão abandonado, mas lá esta.. aqui é mesmo caso para dizer que a ficção conhece a realidade!
Obrigado.
Quando era um cachorrinho, eu distraía-te com as minhas traquinices e fazia-te rir.
Chamavas-me tua criança e, apesar de um certo número de sapatos mastigados e um par de almofadas destruídas, eu tornei-me na tua melhor amiga. Sempre que eu fazia algo de errado, tu abanavas o teu dedo para mim e dizias: "Como é que pudeste?..." mas depois tu arrependias-te e rolavas-me no chão para me coçar a barriga. O meu treino demorou um pouco mais do que o esperado porque tu estavas sempre muito ocupado, mas juntos conseguimos arranjar uma solução...
Eu lembro-me daquelas noites em que me aninhava em ti na cama e ouvia as tuas confidências e sonhos secretos - acreditava que a vida não poderia ser mais perfeita. Nós os dois fazíamos longos passeios e corridas no parque, andávamos de carro, e parávamos para um gelado (eu ganhava só a bolachinha porque "gelado não faz bem aos cães" - dizias tu) e eu apanhava longos banhos de sol enquanto aguardava a tua volta para casa ao final do dia.
Aos poucos passaste a gastar mais tempo no trabalho com a tua carreira e levavas mais tempo a procurar uma companheira humana. Eu esperei por ti pacientemente, confortei todas as tuas mágoas e desilusões, nunca te repreendi pelas más escolhas que tomaste, e vibrei de alegria nas tuas chegadas a casa e quando te apaixonaste... Ela, agora tua esposa, não é uma "apreciadora de cães" - ainda assim eu recebi-a na nossa casa, tentei mostrar-lhe afeição, e obedeci-lhe. Sentia-me feliz porque tu estavas feliz.
Então vieram os bebés humanos e eu reparti contigo o entusiasmo. Eu estava fascinada pelos seus tons rosados, os seus cheiros, e queria muito tratar deles também. Mas ela e tu tinham medo de que eu pudesse magoá-los, e eu passei a maior parte do tempo a ser expulsa para outra sala, ou para a minha casotinha... Oh, como eu queria tê-los amado, mas eu tornei-me numa "prisioneira do amor."
À medida que foram crescendo, tornei-me amiga deles. Eles agarravam-se ao meu pêlo e levantavam-se sobre perninhas trôpegas, enfiavam os dedos nos meus olhos, examinavam as minhas orelhas, e davam beijos no meu nariz. Eu adorava isso tudo, e o toque das suas mãozinhas - porque os teus toques agora eram tão raros - e eu teria-os defendido com a minha própria vida, se fosse preciso. Eu esgueirava-me para as suas camas e juntos esperávamos pelo barulho do teu carro de regresso.
Houve uma altura, quando alguém perguntava se tinhas um cachorro, em que tu tiravas uma foto minha da tua carteira e contavas histórias sobre mim. Nos últimos anos tu apenas respondias "sim" e mudavas de assunto. Eu passei de "teu cão" para "apenas um cão" e tu reclamavas de cada gasto que tinhas comigo. Agora tu tens uma nova oportunidade de carreira noutra cidade, e vocês irão mudar-se para um apartamento onde não são permitidos animais. Tu tomaste a decisão acertada para a tua "família", mas houve uma altura em que eu era a tua única família.
Fiquei excitada com o passeio de carro até que chegamos ao canil. O local tinha cheiro de gatos e cães, de medo, de desespero. Tu preencheste a papelada e disseste "Sei que vocês encontrarão um bom lar para ela"... Eles mexeram os ombros e lançaram-te um olhar compadecido. Eles compreendem a realidade que espera um cão de meia idade, mesmo um com "papéis". Tu tiveste que libertar os dedos do teu filho da minha coleira enquanto ele gritava "Não, papá! Por favor, não deixes que levem o meu cão!". E eu preocupei-me por ele, e com a lição que tu tinhas acabado de lhe dar sobre amizade e lealdade, sobre amor e responsabilidade, e sobre respeito por todo o tipo de vida. Tu deste-me um mimo de adeus na minha cabeça, evitaste o meu olhar e, educadamente, recusaste levar a minha coleira e trela contigo. Tu tinhas um tempo-limite para te habituares e agora eu também tenho um.
Depois partires, as duas simpáticas senhoras que te atenderam comentaram que tu provavelmente sabias já com alguns meses de antecedência que terias de tomar aquela decisão e não fizeste nenhuma tentativa de encontrar um novo lar para mim. Elas sacudiram a cabeça e disseram "Como é que pudeste?". Elas são tão atenciosas para nós aqui no canil, quanto os seus ocupados horários lhes permitem.
Elas alimentam-nos, claro, mas eu perdi o meu apetite à dias atrás. De início, sempre que alguém passava pelo meu alojamento, eu corria para a frente, na esperança de que fosses tu - que tivesses mudado de ideias - que isto fosse tudo um pesadelo.... ou eu esperava que ao menos fosse alguém que se importasse, alguém que me pudesse salvar. Quando percebi que não poderia competir com os alegres cachorrinhos que lá estavam, inconscientes dos seus próprios destinos, nas brincadeiras para chamar a atenção, afastei-me para um canto distante, e aguardei.
Ouvi os seus passos quando ele veio até mim ao final do dia, e segui-o ao longo do corredor para uma sala separada. Uma sala deliciosamente silenciosa. Ele colocou-me sobre a mesa, acariciou as minhas orelhas, e disse-me para eu não me preocupar. O meu coração acelerou-se na expectativa do que estava para vir, mas havia também uma sensação de alívio. A prisioneira do amor tinha esgotado os seus dias.
Como é da minha natureza, estava mais preocupada com ele. O fardo que carrega é demasiado pesado, e eu sei disso, da mesma maneira que conhecia cada um de seus humores. Ele gentilmente colocou um torniquete à volta da minha perna da frente, enquanto uma lágrima corria pela sua face. Lambi a sua mão da mesma maneira que costumava fazer para confortar-te há tantos anos atrás. Ele habilmente espetou a agulha hipodérmica na minha veia. Quando senti a picada e o líquido frio se espalhou através do meu corpo, deitei a cabeça sonolenta, olhei para dentro dos teus olhos gentis e murmurei "Como é que pudeste?".
Talvez por ter entendido o meu latido canino, ele disse "Sinto muito!", abraçou-me e apressadamente explicou que era o seu trabalho, fazer com que eu fosse para um lugar melhor onde não seria ignorada, ou maltratada ou abandonada, nem ter que me desenrascar para sobreviver - um lugar de amor e luz, tão diferente deste lugar terrestre. E com a minha última gota de energia tentei transmitir- lhe com uma sacudidela da minha cauda que o meu "Como é que pudeste?" não era dirigido a ele.
Era em ti, Meu Amado Dono, que eu estava a pensar. Pensarei em ti e esperarei por ti eternamente. Possa alguém na tua vida continuar a demonstrar-te tanta lealdade...
Acho este texo mágnifico a quem o fez os meus parabéns, uma pessoa fica mesmo com um nó na garganta
Texto retirado do site da ABRA (http://www.abra-associacao.com)






