Especialistas questionam-se se o Longhorn pode superar o XP, de 2001.
Há dez anos, a Microsoft apresentou o Windows 95 de uma forma que sugeria que a chegada do produto era equivalente ao momento em que os seres humanos ficaram erectos pela primeira vez.
A empresa gastou cerca de US$ 200 milhões no lançamento do sistema operativo. Isto pagou pelas festividades no campus da Microsoft (com Jay Leno como mestre de cerimónia), o direito de usar a canção "Start Me Up" dos Rolling Stones numa campanha de publicidade mundial e a permissão para iluminar à noite o edifício Empire State com o logo do Windows.
Também encheu a edição daquele dia do jornal "The Times" de Londres com a propaganda do Windows 95, tornando aquela edição do jornal gratuita pela primeira vez em 307 anos.
O que foi notável no lançamento do Windows 95 foi a submissão dos consumidores, que participaram de bom grado no espectáculo. A Microsoft acertou com as lojas do varejo a abertura à meia-noite do dia do lançamento do sistema, uma estratégia que provou ser tão irresistível quanto holofotes numa estreia de Hollywood. Uma rede contou com cerca de 50 mil pessoas a fazer fila nas suas lojas por todo o país.
Aquelas pessoas estavam atrás de um sistema operativo --um encanamento que serve a uma função especial, é claro, mas do mesmo interesse que os canos que serpenteiam sob o piso de uma casa. Mas em 1995, a Microsoft conseguiu fazer o mundo parecer inovador. O "Seattle Times" citou um feliz cliente da meia-noite, acompanhado de sua esposa, que previu que "isto melhorará o nosso casamento".
O Windows XP, lançado em 2001, não conseguiu igualar a estreia notável do Windows 95. Nós podemos torcer para que o sucessor do XP, que tem o codename "Longhorn" e cujo lançamento está previsto para o próximo ano, desponte discretamente, deixando-nos mais próximos do dia em que os usuários não precisarão de saber mais sobre um sistema operactivo de um PC do que sabem sobre o software presente num telefone celular.
A gestação do Longhorn já ultrapassou em muito o prazo originalmente planeado. Rumores da sua existência surgiram em 2001, quando foi dito que o sistema tinha sido escolhido como uma rápida actualização "intermediária" do XP. O tempo passou, e os media foram autorizados a ver uma prévia. Mas mesmo a conclusão disto, um lançamento interino, demorou.
Determinada a lançá-lo em 2006, a Microsoft decidiu em 2004 remover um novo sistema de arquivos para organização de dados no disco rígido, o que a empresa tinha promovido anteriormente como o coração do novo sistema. Quando e se este elemento aparecerá, dificilmente melhorará o casamento de alguém.
Arrependida de ter anunciado um elemento importante que subsequentemente teve que remover, a empresa decidiu ficar quieta sobre outros aspectos pelo máximo de tempo possível.
A Microsoft deu aos desenvolvedores de software versões beta de dois novos componentes, para gráficos e serviços de Internet, mas estes também estarão disponíveis para os proprietários do Windows XP. A empresa ainda precisa dizer o que será exactamente uma melhoria exclusiva do Longhorn.
A reticência da Microsoft não poderá durar muito. Em duas semanas, ela será anfitriã de uma conferência de vendedores de hardware, na qual estabelecerá as especificações mínimas necessárias para que o Longhorn possa ser comercializado.
Podem estar ansiosos para saber se o PC que têm atenderá às especificações. Se o vosso PC não atender, é improvável que vocês substituam para instalar a mais recente versão do Windows. Michael Cherry, analista senior para Microsoft da Directions, uma empresa de consultoria com sede em Kirkland, Washington, observou que muitos atilizadores de PC's agora estão a tratar dos seus computadores como aparelhos de TV.
"A menos que a TV não funcione", disse ele, "eles não as substituirão".
Cherry expressou ceticismo quanto ao apelo de melhores gráficos para ele e outros que gastam a maior parte do tempo a usar um processador de texto, um programa de e-mail e um browser. "Como gráficos 3D vão de facto mudar minha vida?" perguntou ele.
Outro analista, Rob Enderle, presidente do Enderle Group, saudou o sistema com mais entusiasmo, prevendo que o Longhorn fornecerá "enormes melhorias em segurança".
Podemos saudar esta perspectiva feliz, mas ao mesmo tempo temos que ignorar os risos de desdém dos usuários do Macintosh, que ainda precisam saber o que é encontrar um vírus. Independente de quão sólido e seguro possa parecer o código do Longhorn, a Microsoft precisará de muitas vozes independentes que lhe forneçam verificação e garantia.
Os profissionais responsáveis pelos PCs corporativos parecem actualmente desconfiados das promessas da Microsoft, desprezando o mais recente pacote de melhorias de segurança e remoção de bugs oferecido para o Windows XP.
Em 4 de abril, a AssetMetrix Research Labs, uma empresa de pesquisa com sede em Ottawa, divulgou os resultados de uma pesquisa envolvendo 251 empresas norte-americanas, avaliando a adopção do Windows XP. Apenas 7% das empresas implementaram as mais recentes melhorias, o Service Pack 2, apresentado seis meses atrás. As melhorias provocaram problemas de compatibilidade de software. Eles podem ser superados com algum trabalho, mas não sem agravamento e custo adicional para consertos que, desde o início, não deveriam ser necessários.
Problemas de compatibilidade agravarão-se no futuro. O Longhorn dificilmente coexistirá em paz com o software existente no sistema operativo. Enderle disse que o maior ganho de segurança exigirá uma ruptura com o software complementar do passado, o que significa que "a compatibilidade sofrerá".
O Windows XP poderá provar ser um tenaz chefe de família, não disposto a ceder lugar para a próxima geração. Apesar dos problemas de segurança, ele é a versão mais estável do Windows até o momento. Tal estabilidade dificultará para a empresa vender o Longhorn como um lançamento mais importante do que o próprio XP, uma previsão que Bill Gates, o presidente da Microsoft, fez em 2003.
As previsões não são boas quando o mundo da computação se move mais depressa do que a massa pesada da divisão Windows da Microsoft. O Linux representa um modelo alternativo, empregando pés ágeis e lançamentos frequentes.
Mark Lucovsky, um engenheiro de software, descreveu recentemente no seu blog o processo de escrever o código para um projecto como o Longhorn e a longa espera antes que chegue ao PC do utilizador.
Primeiro, uma correção de bug ou elemento adicional é depositado num sistema de controle do código fonte, onde pode ficar por anos. Eventualmente ele é transferido para um lançamento de produto e gravado em CDs. Meses passam-se, mesmo no estágio final, do lançamento e produção até chegar ao departamento do cliente. Lento.
Por outro lado, os engenheiros que trabalham nas melhorias para uma nova forma de sistema operativo, o software que serve aos sites na Internet, podem implementar o trabalho quase que instantaneamente. Lucovsky reconta como um amigo na Amazon descobriu um problema de performance, descobriu como corrigi-lo, testou e o implementou-o, tudo num dia.
"Nenhum cliente teve que fazer o download de um saco de bits, responder perguntas idiotas, provar que não é um ladrão de software, reinicializar o computador, etc.", ele escreveu. "O software foi enviado a eles, e não tiveram que mover um dedo."
Os comentários de Lucovsky são de interesse porque ele sabe algo sobre o desenvolvimento de sistemas operacionais. Ele foi o arquitecto senior do Windows NT, foi o principal guardião das chaves do código fonte e foi nomeado pela Microsoft, em 2000, como um de seus engenheiros ilustres. Mas recentemente, após 16 anos na Microsoft, ele disse que decidiu que estava errado ao achar que a Microsoft sabia melhor "como fornecer software".
Foram outras empresas, aquelas que perceberam o potencial da Internet e do software como serviço, que melhor conseguiram oferecer benefícios para os clientes "de forma rápida e eficiente", disse ele. Ele pediu demissão da Microsoft e juntou-se a uma destas outras empresas: a Google.
(Enfim, parece que a Microsoft aindatem muito que "aprender"
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