Camaradas caso não saibam:
A Microsoft vai encerrar ou condicionar as salas de "chat" do serviço MSN em 28 países da Europa, África, Médio Oriente e Ásia. A medida vai ser aplicada a partir de 14 de Outubro e é justificada com o facto destes espaços virtuais contribuírem para propagar conteúdos pedófilos, pornográficos e "spam" – publicidade não solicitada. O serviço apenas permanecerá aberto no Estados Unidos, Japão e Canadá.
Num comunicado divulgado esta quarta-feira, a Microsoft refere que as preocupações começaram a surgir depois de terem sido detectadas situações em que pedófilos usavam a Internet para tentar aliciar crianças. Outra das razões mencionadas foi o aumento do "spam". De acordo com o grande gigante de software norte-americano, as salas de conversação virtuais começaram a ser inundadas por mensagens publicitárias, nomeadamente com conteúdos pornográficos.
O gestor geral da Microsoft MSN, Geoff Sutton, explicou à Reuters que a verdadeira razão desta medida é que «as salas de conversação livres e sem moderação não são seguras». Sutton referiu que nos países em que vão ser encerrados os chats, não existia qualquer tipo de controlo. As salas que vão ser mantidas vão ser vigiadas 24 horas por dia e os utilizadores têm de pagar o acesso, através de cartão de crédito, tendo ainda que efectuar um registo no serviço. O objectivo é o de eliminar as possibilidades de anonimato, usado pelos alegados pedófilos e autores de "spam". Sem supervisão vão ficar as salas de chat nos Estados Unidos, Japão e Canadá mas apenas para subscritores que são considerados mais fiáveis, devido à sua identidade e alguns dados que estejam registados na base de dados da companhia.
As organizações de protecção de crianças mostram-se satisfeitas com a medida. «A taxa a que as coisas más vão acontecendo devido à Ineternet aumento nos últimos 12 meses. Não podemos ignorar isso», afirmou à Reuters John Carr, conselheiro de uma organização britânica. De acordo com a BBC, uma em cada cinco crianças entre os 9 e os 16 anos utiliza regularmente estes espaços virtuais. Destes, mais de metade já estabeleceu diálogos online sobre conteúdos sexuais. Um quarto das crianças que utiliza os "chats" recebeu convites para encontros pessoais e pelo menos uma em cada dez crianças chegou mesmo a conhecer quem estava do lado de lá.
A decisão da Microsoft já motivou as críticas dos defensores do discurso livre e sem barreiras. A questão centra-se no facto de as salas que não vão ser encerradas se manterem mediante supervisão ou acesso pago, deixando assim de serem livres e gratuitas.
A Microsoft vai enviar um email a todos os cibernautas que utilizam o serviço a informar do encerramento do serviço. «Esta é uma decisão baseada nas experiências dos consumidores, na protecção das crianças e no investimento estratégico para construir o MSN Messenger», esclarece Sutton.
Os utilizadores dos países afectados por esta medida poderão continuar a conversar online através do Microsoft Messenger, o serviço de mensagens instantâneas da empresa que permite a selecção dos contactos, sendo por isso considerado um espaço mais seguro. A medida da Microsoft não teve qualquer eco na concorrência.
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