Na minha opinião a Asus fez alguns erros graves no design da P4C800 Deluxe que vão totalmente contra o conceito que está por trás do chipset 875P e que a Intel tentou implementar (a meu ver muito bem) que é o de reduzir os bottlenecks do sistema.
Em primeiro lugar, aquele que toda a gente parece falar, é o da ausência do controlador gigabit com suporte para a bus CSA. Como disse atrás, esta solução traz uma bus dedicada só para o controlador ethernet, à semelhança do que aconteceu aqui há uns anos quando a intel introduziu a bus AGP dedicada apenas para a placa gráfica.
Uma bus dedicada, com acesso directo à memória vai eliminar um bottleneck muito importante que apareceu com a introdução dos controladores gigabit pois se fizermos as contas, um controlador gigabit na sua taxa de transferência teórica máxima de 1 Gbps traduz-se numa utilização de cerca de 125 MB/s de largura de banda em half-duplex e se estiver em full-duplex salta para os 250 MB/s. Ora como sabemos a bus PCI tem uma largura de banda máxima de 133 MB/s, o que quer dizer que o controlador gigabit iria não só "comer" toda a largura de banda da bus PCI, a qual ainda tem que suportar outras coisas como a placa de som, o controlador USB, etc. como iria ficar limitado pela falta de largura de banda disponível em full-duplex.
Ora o que a Asus fez foi ignorar a bus CSA disponível no chipset 875P, que oferece um canal de 266 MB/s para o controlador ethernet, e ligar o controlador gigabit da 3COM à bus PCI. Está certo que hoje em dia ainda ninguém utiliza redes gigabit, só mesmo em ambientes empresariais, pelo que estes controladores onboard que vamos utilizar em casa irão ser na sua grande maioria apenas para ligar o cable/dsl modem ou para ligar ao outro PC cá de casa, no máximo a 100 Mbps que não se traduz num botleneck significativo. Mas em termos de design e olhando para o futuro, a solução da Asus está a meu ver errada e vai contra a intenção da Intel de reduzir os bottlenecks no sistema.
Outro erro de design da P4C800 foi a não inclusão da southbridge ICH5R, tendo a Asus optado pela ICH5 que não tem suporte para SATA RAID, em vez disso incluiram na board um controlador externo da Promise com 2 canais SATA e suporte para RAID 0 e 1.
Se bem que a inclusão de um segundo controlador RAID é uma coisa que traz valor à board para quem quiser mais que um array ou então implementar uma solução de mirror, não deveria ser a única solução de RAID numa board Canterwood. Isto porque à semelhança do que já disse em relação ao controlador gigabit, o controlador externo fica ligado à bus PCI. Ora como nós sabemos a interface SATA tem uma largura de banda máxima teórica de 150 MB/s, pelo que ligar um controlador SATA RAID na bus PCI com os seus 133 MB/s de largura de banda é estar a limitar o controlador e criar mais um bottleneck.
Por isso mesmo a Intel decidiu incluír 2 canais SATA com suporte para RAID na própria southbridge, de modo a ultrapassar as limitações da bus PCI e ter um canal dedicado ao controlador SATA RAID. Mas mais uma vez a Asus parece ter decidido que eliminar bottlenecks é uma ideia absurda e não usou a southbridge com suporte para RAID tendo optado apenas pelo controlador externo. Outras boards, como a Abit e a MSI também oferecem um controlador SATA RAID externo mas em complemento à solução existente na southbridge, não como solução principal e única na board para quem quiser utilizar esta interface.
Por estas razões, considero a board da Asus uma fraca implementação do chipset 875P e não recomendo a ninguém que comprem esta board até a Asus lançar uma revisão que corrija estes erros.
Uma outra coisa que tenho contra a P4C800 Deluxe, mas que não se trata de um problema de design, mas antes de uma má opção da Asus a meu ver, é a decisão de não incluírem as brackets para utilizar as restantes portas USB e firewire. Têm os headers na board, mas não nos dão nada para ligar para podermos utilizar as portas! IMHO acho que isto não é uma coisa que se faça numa board que tem um nome "Deluxe"
