Eu ainda sou do tempo em que virar-me para trás na aula custava 1 ou mais reguadas.
Penso sinceramente que os miudos de hoje "queimam" etapas na sua formação como pessoas, em que as relações pessoais têm por base algo físico e não sentimental. Amizade, amor, camaradagem, confiaça não existem porque não foram cultivadas. O que usas, como te comportas, o que fazes, são os factores identificativos entre estes jovens, não o que elas são.
"No nosso tempo é que era" é uma frase muito gira e que de facto se aplica muito. E lembro-me dos meus avós as usarem, e os meus pais e eu próprio. Mas existia nesses "tempos" um factor comum: as pessoas relacionavam-se pelo que descobriam de cada uma, de interações nas quais os sentimentos eram bem mais importantes. As pessoas faziam amizades e identificavam-se pelo conhecimento profundo da vida de um deles, não pelo hi5, msn ou na discoteca.
Eu sou professor, lido com crianças, jovens, adultos e idosos e vejo que esta geração de que se fala aqui é vazia em imaginação, sentimentos, até rebeldia. Isso mesmo rebeldia! São pães sem sal. Eu sei o que eles vão fazer a seguir. Parece que fizeram todos upload do mesmo sistema operativo...
Esta é a primeira geração que vive "à distância". É a geração da máscara, do carnaval, do autómato, eu sei lá.
Modas sempre existiram, os jovens íam todos atrás, mas pelo menos eram imaginativos, rebeldes, imprevisíveis, agiam em grupo, pensavam como grupo. Hoje os jovens são uns grandes umbigos com uma lavagem cerebral (felizmente não todos!).
Precisamos ser diferentes, rebeldes, mas honestos connosco e com os outros para vivermos a vida, a nossa vida, real! Não é uma novela!
Cumps
PS: Desculpem o Off-topic mas tem de ser (embora não seja tão off como isso), não resisto!
Falou-se dos gostos gostos musicais e sobre isso gostava de dizer algo.
Cores e gostos não se discutem, respeitam-se, mesmo discordando. Mas até aqui aparece a prova da superficialidade da vivência desta geração. Gostam daquele grupo porque todos gostam, porque é cool. Habituam-se à musica, não gostam dela porque a sentem (sentir o quê? A "musica" dos Dzrt sente-se?!?!? LOL). E depois tudo o resto não existe. É que até podiam ter ouvido, conhecerem e detestarem, mas nem isso.
Em relação aos ranchos folclóricos gostava de dizer alguma coisa. Muitos deles são uma autêntica bosta, e são os responsáveis pela ideia que transmitem a quem não os conhece, tal como o acordeão, infelizmente.
O rancho folclórico quando transmite um estudo aprofundado de uma região (traje, musica, letra, dança) e quando tem pessoas capazes e esforçadas é uma coisa fantástica. São as musicais tradicionais portuguesas, são as nossas raízes, que penso devemos preservar. No entanto é um facto que a nossa musica não é muito rica musicalmente... Paciência...
Alguém disse que o Einstein afirmou que a tradição é a cultura dos imbecis. é verdade, quando dita no contexto. Quem vive com base na tradição, vive com aquilo que já existe, com aquilo que alguem fez ou inventou, e como toda a gente a aceitou (tradição) deixa-se estar sossegado. Pois... Só pode ser um ignorante, sem ideias, estúpido, imbecil. Quem é inteligente parte das bases que tem e constroi algo novo com base numa tradição sólida. Einstein partiu dos seus conhecimentos ganhos no estudo tradicional, na mecânica clássica de Newton. E completou esta com a mecãnica quantica (mais ou menos isto). Precisamos de uma identidade e de uma base para evoluir, não para estagnar.
Na música portuguesa, nestas raízes tradicionais, no nosso folclore poucos pegaram nele por medo, por fazerem juizos errados. Não quiseram inovar ou falam mal porque são imbecis. É tradição falar mal do folclore português (quim barreiros e companhia NÂO SÂO o folclore português), não é tradição conhece-lo, cultivá-lo, inová-lo. Os russos que sempre cultivaram a revolução constante fizeram isso com o seu folcore, sempre presente em toda a sua música, seja clássica, jazz, pop, rock e o caraças! (já estou a teclar há muito...). Diga-se também que o seu folclore é riquissimo, mas não deixa de ser folclore.
Confesso que sou eclético nos meus gostos pessoais musicais. Confesso também que não sou muito adepto da música dos ranchos folclóricos (se calhar porque não procuro tanto como devia...). Como dizia uma famosa: Há dois tipos de música, a boa e a má.
Gosto de Sepultura e gosto de Bach. Gosto de Metallica e gosto de Frank Zappa. Epa, ficava o resto da noite aqui. Também gosto de Ena Pá2000.
Temos é de ouvir e saber ouvir, conhecer e dar-nos a conhecer. Se gostamos de uma coisa, não vamos ser uns freeks por isso, porque é mau. É simplesmente porque gostamos, e queremos disfrutar.
Fiquem bem!
Desculpem a extensão do texto...
PS: Há prémio para mensagem mais comprida do forum?
PS2: O Quim Barreiros NÂO SABE tocar acordeão. Mas até não se sai nada mal com a concertina.