1.
Ao entrar no ambiente gráfico vamos dar de caras com isto:
Juro que não estou a gozar
O botão esquerdo do rato não gera nenhum menu; o botão direito do rato, muito menos; o botão do meio do rato não roda nenhum cubo; o "Enter" não faz nada; o "Tab" também não.
Que raio...
2.
OK, o único feedback visual que existe é aquela barra no topo, com uma numeração de 1 a 9 e, neste caso, com a palavra "float"; do lado direito da barra, a versão e nome de versão do Window Manager.
Os números do topo são as chamadas "tags". Quem já conhece o conceito de "workspaces" de outras distros Linux, ou de OS X Leopard, já consegue imaginar o que é. Resumindo (muito): são zonas de trabalho, desktops numerados de 1 a 9... que não são bem desktops. São mais do que isso
Há duas formas de iniciar programas. Como não há ícones no desktop, nem há um menu integrado... há um truque. Carregando em ALT + Control + Seta para baixo, aparece isto (nota: isto faz parte da configuração personalizada para Satori, não é comportamento por omissão de Awesome):
Um diálogo de lançamento de programas. Neste caso, a aplicação em questão é o "gmrun".
3.
A primeira coisa que vou fazer, para tornar os screenshots menos penosos, é dar uma corzinha ao desktop:
Neste caso, usei o comando "fbsetbg -l". Traduzindo: feh (programa de imagem)setbackground -last, ou seja, "Amigo feh, coloca lá o último wallpaper que eu utilizei.
4.
A segunda forma de iniciar programas, é através do terminal. Para iniciar uma janela de terminal, usa-se a combinação de teclas ALT+Control+Enter.
Em Satori, isso vai dar origem a uma janela de terminal toda pipi, tipo esta:
Se repararem bem, no topo, do lado direito do 9, está a indicação "float". Isso significa que as janelas desta tag (indicado pelo highlight cinzento no número 1 - significa que estamos na tag 1, portanto) adquirem um layout flutuante. Este é o comportamento normal das janelas não maximizadas, como as conhecemos de qualquer outro ambiente gráfico, por exemplo.
Os limites da janela estão a vermelho. Awesome não tem praticamente decoração de janelas. Também não tem botão para minimizar, nem para fechar a aplicação. Mais à frente logo vão perceber porque é que o conceito de "minimizar" ou "iconizar" deixa de de fazer sentido com este gestor de janelas.
5.
Vamos mudar o layout (em tempo real, clicando com o botão esquerdo do rato sobre a palavra float) para outro tipo de organização de janelas e lançar outra janela de terminal (ALT+Control+Enter):
O símbolo []= significa que a arrumação de janelas vai ser automática, em tile (azulejo). Isto é, sempre que lançarmos uma nova janela aqui, o espaço vai ser reorganizado automaticamente para nenhuma janela se sobrepor a outra.
Por exemplo, lançamos 4 janelas diferentes com este layout, e a arrumação fica da seguinte forma:
Capiscam? No primeiro "azulejo" está o cplay (um programa simples de música no terminal), no segundo está um cliente de email também de terminal - mutt -, no terceiro está o htop (um "gerenciador de tarefas em tempo real), e na última uma janela de terminal com o tenebroso cowsay (que não serve mesmo para nada).
Eu gosto particularmente deste layout para janelas de terminal, mas qualquer aplicação pode ser lançada neste tipo de layout. Imaginem um editor de texto aberto, com um PDF ao lado, com um browser aberto em baixo e um programa de música noutro quadrado. Tudo no mesmo desktop, sem perdas de tempo a abrir e fechar janelas, a fazer Alt+Tab, ou a girar cubos.
As possibilidades são praticamente infinitas.
6.
Além dos layouts "floating" e "tiled", há outro a explorar. Carregamos em ALT+Control+Seta de baixo, e vamos iniciar o Opera, escrevendo "opera" no diálogo do gmrun.
E o magnífico resultado é este:
Parece que não aconteceu nada, certo? Então façamos um zoom sobre a barra de topo:
O fundo cinzento sobre a tag 1 indica onde estamos; por cima da tag 3, temos uma indicação gráfica. Isso significa que há uma aplicação aberta nessa tag.
Há 3 formas simples de navegar pelas tags:
1--> clica-se com o botão esquerdo do rato sobre a tag desejada;
2--> carrega-se em ALT+número de tag (neste caso, para ir à tag 3, carregamos em ALT+3);
3--> carregando em ALT+Control+seta da esquerda ou seta da direita para andar de uma tag para outra.
A forma mais rápida de descobrir o que está por detrás da porta #3, neste caso, é carregar em Alt+3 e, imediatamente, temos isto:
Lembram-se que após iniciar o Opera parecia que não tinha acontecido nada? É simples: o Opera está configurado para iniciar-se sempre na tag 3, da única maneira que o Opera para mim faz sentido: maximizado! (Reparem no topo, ao lado do 9, a indicação "max")
7.
E isto é prático em quê? Muito simples, assim nunca se tem que minimizar janelas. Temos vários desktops para partilhar pelos programas todos que queremos utilizar, em vez de utilizar apenas um com janelas sobrepostas, com janelas minimizadas que para restaurar precisam de um clique do rato e tudo mais...
Esta forma de organização de janelas é mais rápida e mais eficiente. Basta designar tags para as diversas aplicações que utilizamos. Assim, sabemos que a tag 3 = Opera. O Opera fica sempre maximizado, e para lá voltarmos basta clicar em ALT+3, ou com o botão do rato em cima do número 3... ou utilizando ALT+Control+setas!
Em Satori, a 1ª tag serve para tudo o que necessitar de atenção imediata:
Programas tipo Messenger (Pidgin e o Psi - cliente de Jabber), as próprias janelas de conversação (digam olá ao PapaGigas), um editor de texto (Beaver) que se abriu só temporariamente para apontar qualquer coisa, etc.
Entretanto também já estava o Conky a bombar (aquelas informações sobre o sistema no topo direito do ecrã).
8.
Na tag 2 ficam alguns programas que vão estar sempre abertos, mas que não necessitam de janelas maximizadas:
Aqui fica um gestor de ficheiros, tipo Explorer (PCManFM), um Calendário + Tarefas + Notas para organizarmos o dia-a-dia (Osmo Organizer) e o um programa de leitura de música, tipo Winamp (XMMS).
(Repararam na indicação "float" no topo? Indica que é uma tag com layout de janelas flutuantes, mais uma vez - só para relembrar
9.
Entretanto fomos lançando outros programas... Como se pode ver pela indicação gráfica nas tags de outros números.
Os programas que correm em janelas de terminal, são automaticamente iniciados na tag 6:
Neste caso há duas janelas de terminal, com layout "[]=" (tiled), ou seja, o espaço é distribuído automaticamente consoante o número de janelas.
10.
Para acabar, o GIMP. É sempre chato nos outros gestores de janelas, porque tem várias janelas flutuantes.
Por isso mesmo, tem uma tag só para ele. Para recapitular como se processa o lançamento de aplicações, com o GIMP como exemplo:
1--> carrega-se em ALT+Control+seta para baixo;
2--> vai aparecer uma janela de diálogo de lançamento de aplicações (gmrun);
3--> escreve-se "gimp" na mesma;
4--> o GIMP está configurado para ser lançado na tag 9, por isso quando iniciamos o programa, aparece uma indicação visual sobre o número 9, no topo;
5--> Carregamos em ALT+9 para navegarmos até à tag 9 (ou em ALT+Control+setas para chegar até à 9; ou clicando com o rato em cima do número 9) e...
Temos o GIMP (editor de imagem)!
Ainda tem bastantes mais funcionalidades, mas não vos vou estar a massacrar (ainda) mais com isto! É uma forma completamente nova de trabalhar... mas é viciante. Saltar entre aplicações de janelas de aplicações é muito mais rápido e faz-se tudo de forma muito mais eficiente. Aprende-se umas quantas combinações de teclas e, a partir daí, é sempre a abrir!
E, para quem tiver ficado curioso... o símbolo nesta última imagem é... Satori.
Até breve










