I_love_Toshiba Escreveu:Por acaso essa noticia dos juizes apanharem umas lagostas fora do tribunal caiu me mesmo bem.
Inicialmente achei que se tinha passado o limite, mas depois deparei-me hoje com este artigo de opinião no Diário de Noticias do jornalista Ferreira Fernandes.
Só para lembrar: prosseguem os julgamentos em Palermo e na Sardenha, ou não? Sim, na Sicília, onde ser mulher de juiz pode levar, no mercado, a escutar esta pergunta assustadora: "A senhora mora na rua X, no terceiro esquerdo, não é?" Sim, na Sardenha, a capital dos raptos, onde os filhos dos juízes vão à escola. E, então, os juízes continuam a julgar? Pelo que eu sei dos costumes indígenas (os da minha terra), não deviam. Deviam suspender por falta de condições de segurança.
Já vi um julgamento de mafiosos em Palermo. Agora é que me dou conta do que devia ter achado estranho e me fizeram, lá, passar por natural: havia uma cabina à prova de bala e, dentro, não estavam os meretíssimos. Protegia, sim, os mafiosos. Lembro-me, ainda (na altura não me dei conta, notícias recentes é que mo fizeram recordar): os juízes estavam de cara à mostra. Não deviam tapá-la ou esconder-se por trás de uma cortina? Não dar o seu nome à notícia pública do julgamento? Se deviam, não o fizeram. Estranho.
E porque me agarro ao caso da Sicília? Em Espanha não há juízes que processam e julgam e condenam os assassinos da ETA? Porque não se escondem? É que os bandidos de lá é a tiro na nuca. Porque é que o juiz Baltasar Garzón não se faz simplesmente chamar X? Ou, melhor, não suspende as suas investigações já que o Estado espanhol não lhe garante as condições normais de qualquer cidadão espanhol: andar na Gran Via, a assobiar e sem guarda-costas? O Estado não lhe dá isso, e ele, naturalmente, suspendia as sua funções. "Não há condições", como antigamente dizia o Zé Maria do Big Brother para tratar das galinhas e dizem alguns juízes da minha terra. Garzón não viu o Zé Maria, não se deixou influenciar, continuou a trabalhar.
Claro que exigiu guarda-costas. Ele e os juízes de Palermo, da Sardenha e do País Basco não são suicidas, nem aqui os chamaria se fossem heróis tolos. Não misturam é o cu com as calças: o facto de serem alvo dos bandidos não os impede de exercer o que são. Não fecham as portas ao primeiro susto. Combatem quem os assusta tornando-se mais eles, mais juízes. Porque o susto os convenceu ainda mais que são necessários. As agressões do Tribunal da Feira deviam ter convencido os juízes, assim: "Olha, sou mesmo necessário." Em vez disso, suspenderam-se.
Um juiz que suspende julgamentos porque durante um julgamento se cometeu um crime, é um juiz que não acredita que os julgamentos servem para combater os crimes. E, já agora, do ponto de vista do criminoso: se um crime num julgamento acaba temporariamente com os julgamentos numa comarca, porque não mais crimes desses para prolongar a suspensão de julgamentos? E porque não estender a táctica a todos os tribunais portugueses? |
Fonte: MERECER SER MERITÍSSIMO - Ferreira Fernandes
Depois de ler isto, nem sei bem o que pensar, se eles realmente merecem só levar uma galhetas, se merecem algo mais ou se a desilusão é só mesmo muito grande
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