Distro: Debian Etch (4.0, stable)
Modo de instalação: Goodbye Microsoft ou Goodbye Windows (mais detalhado).
Tempo (estimado): 45 minutos (com NetRabo 8MB, e repos nacionais - importante porque é um netinstall)
Este instalador Debian é uma ideia fenomenal que não foi suficientemente explorada ou mesmo publicitada. Basicamente, é um executável, instalável em ambiente Windows que permite fazer um netinstall: depois de instalado, arranca-se o Debian Installer e pode até remover-se a partição do Windows. No meu caso, foi a solução mais simples e rápida que arranjei para instalar no meu Thinkpad.
Para quem não conhece, o X31 é um ultra-portátil com ecrã de 12 polegadas que não tem drive óptica. Existe uma solução para isso, a Ultrabase X3 (e existem ainda outras docas), que eu por acaso tenho, mas que está avariada. No problemo: arranquei o IBM Predesktop, fiz um reset para as definições de fábrica, que instalam o Win XP Pro. Download do Debian installer, reboot e arranca o instalador Debian.
Eu prefiro instaladores de texto, mas neste caso também há um instalador gráfico. O tipo de instalação é seleccionado quando se clica no Debian Installer ainda em Windows. Suponho que as diferenças não sejam muitas. O instalador de texto é igual ao que já muita gente por aqui conhece do Alternate CD de Ubuntu. (nota: se insistem em utilizar o instalador do Live CD de Ubuntu e têm problemas, não estranhem... usem o Alternate CD).
Chegado ao particionador, tive o cuidado de não apagar a partição escondida do Thinkpad (que é onde ficam as ferramentas da IBM Predesktop Area), nunca se sabe quando vou precisar dela novamente, especialmente sem Ultrabase. Quem quiser pode manter a partição de Windows. O instalador permite reduzir o espaço da partição de Windows e criar espaço para Debian, de forma não destrutiva. Aconselha-se, neste caso, a desfragmentar o disco antes de efectuar a instalação (e ter a certeza que fica bem desfragmentado).
No meu caso, a partição de Windows foi com as couves, foi de maca, não precisava dela para nada. Como não consegui instalar o GRUB no hd0 (devido, provavelmente à partição escondida da IBM), instalei o LILO. Old-school booting. Demora um pouquinho mais a arrancar, mas é um bootloader de texto, em que vemos tudo o que está a passar-se no arranque (e até detectar hipóteticos problemas no mesmo). Pessoal habituado a Slackware (default), conhece bem o LILO. Em Gentoo, o default já é o GRUB, por exemplo.
Seleccionado o tipo de propósito (servidor, desktop, portátil), o instalador vai buscar aos repositórios de Debian todo o software base necessário, de acordo com o que se seleccionou. O ambiente que instala, por defeito, é o GNOME. Para mim, maravilha, porque não suporto KDE.
Para quem não conhece, o tipo de ambiente GNOME é mais comparável a Mac OS X, enquanto que KDE segue mais a matriz do Windows. Ambos são altamente configuráveis, no entanto, pelo que só é parecido com aquilo que quisermos. Basicamente, igual a qualquer tipo de instalação, só é relativamente mais lento que outro tipo de instalação porque em vez de ir buscar e descompactar o software do CD, utiliza a ligação à internet.
No meu caso, com a NetRabo, tendo seleccionado os repositórios Debian dos servidores da Universidade de Aveiro (fabulosos, diga-se de passagem), a instalação a partir deste ponto demorou muito menos do que eu esperava. A instalação propriamente dita, é bastante rápida.
Config em default (screen):
(único pormenor que não é default: o tipo de letra, e respectivo tamanho. Eu uso o Bitstream Vera Sans, em tamanho 7... a 100 dpi - um truque que aprendi com o Elive e que torna o texto perfeito para mim)
Pormenores acessórios à parte, quando se reinicia o computador, damos de caras com um ambiente GNOME totalmente default. Infelizmente, como Debian Etch é a versão estável (e conservadora) de Debian, não há cá pão para malucos. O software incluído pode não ser bleeding edge, mas é extremamente estável e passou por uma bateria de testes enormíssima e numa série de arquitecturas e plataformas simplesmente imensa.
Ao contrário de uma instalação de Windows, que vem com o notepad, o IE e uns joguitos, uma instalação default de Debian (e de qualquer outra distro de Linux), inclui logo uma série de software à partida: OpenOffice.org, IceWeasel (o rebranding do Firefox --> é igualzinho, apenas o ícone e as menções ao Firefox são completamente retiradas, sobre esta questão pode falar-se noutro lado que não é para aqui chamada), Evolution (uma secretária virtual, com o mesmo tipo de funcionalidades do Outlook Express - inclusivamente com possibilidade de ligar ao MS Exchange Server), The GIMP (programa de edição gráfica, aka Photoshop dos Pobrezinhos), Epiphany (o browser por defeito do ambiente GNOME - pessoalmente gosto bastante, mais leve que o Firefox/IceWeasel), etc.
Para minha surpresa, Debian não configurou automaticamente algumas coisas, como por exemplo o CPU Scaling do Pentium M do Thinkpad. Debian não é uma distro tão de "mão-dada" como Ubuntu, por exemplo. Algumas coisas requerem algum conhecimento do sistema que se tem, mas não é nenhum bicho de sete cabeças, para quem quer que seja. Os Thinkpad são máquinas de grande compatibilidade com Linux. São os Mac do mundo PC, porque são máquinas previsíveis, robustas, fiáveis (os melhores portáteis do mundo para mim).
Agora, a grande vantagem de Debian... a enormidade avassaladora dos repositórios. A quantidade de software que têm disponível é impressionante. E em Debian Etch, software à prova de bala, testado, retestado e contratestado. Não é por nada que Ubuntu, a grande distro da moda, acabe por ser baseada em Debian (baseada, mas não compatível, misturar repos de Debian e de Ubuntu --> deep shit). No fim de contas, Debian é a Mãe (estável, segura, sábia, mas conservadora), e Ubuntu é o Filho progressivo (aprendeu muito com a mãe, mas já faz as coisas de maneira bastante diferente - o que às vezes pode trazer alguns problemas).
Após todos os tweaks (e ainda com o wallpaper em default):
Só para acabar, que isto está a alongar-se demais... Com este tipo de coisas, não há desculpas. Só não instala ou testa Linux, quem não quer. Tendo em conta que a Microsoft está a descontinuar o Windows XP (dentro de 9 meses), há que começar a pensar em alternativas.
Especialmente hoje em dia, que as soluções de virtualização estão a chegar a um nível de disponibilidade e acessibilidade extremos, e em que programas necessários e exclusivos de Windows e que não têm mesmo equivalente em Linux (que são cada vez mais raros) já podem correr numa máquina virtual praticamente sem perdas de performance (testei o Virtualbox com um Pentium III a 800MHz e com 512MB de RAM, e a máquina virtual, dentro de Linux, corria Windows tal como se fosse uma instalação de raiz e não virtualizada).
A lógica deveria ser a seguinte: para trabalho, Office, net e para a grande maioria das tarefas que uma pessoa faz no dia-a-dia, deveria utilizar-se Linux, e tem uma série de vantagens incontornáveis. O Windows? Para jogos --> Wintendo. Para uso profissional ainda há ferramentas só disponíveis em Windows ou Mac: Photoshop, Quark, InDesign, ProTools, Premiere, Ableton Live, etc, etc. Nesse caso, não recomendo nem uma plataforma nem outra, é à escolha do freguês. Ambos têm vantagens e desvantagens. E acho que o dual-boot aí é sempre o caminho certo.
GRATUITO e OPEN SOURCE, sem virus, sem trojans, sem worms, sem spyware. Estável, seguro, leve nos recursos e com uma aparência completamente configurável. O que é que estão à espera?
Nota: existe um instalador de Ubuntu para Windows, mas não tem nada a ver com isto. Muito pelo contrário. O Wubi (Windows Ubiquity - instalador gráfico de Ubuntu em Windows), instala Ubuntu num ficheiro dentro da partição de Windows, o que em termos de acesso ao disco torna tudo mais lento.
Na próxima semana, a review vai ser de... ZenWalk, uma pequena maravilha baseada em Slackware.



