Azarael Escreveu:Estás a pensar em liberalismo apenas em termos sociais, digamos. Aí sim, ou se é liberal social ou se é conservador, sem dúvida.
O que te faz dizer isso? Refiro-me aos dois aspectos quando digo "liberalismo".
Por exemplo, o PSD... Social Democracia de centro-direita...
Embora sejam e identifiquem-se como conservadores, têm a sua pontinha liberal nos dois campos... económico e social.
Agora é claro, como partido de centro-direita, é normal que enfatize um pouco mais na dimensão económica do liberalismo... Mas a dimensão social não fica de fora...
Agora, o PS, como partido de centro esquerda, vai ser o contrário...
Não, não havia. É o seguinte eu estou a comparar com o regime que criou o fascismo, o regime de Mussolini. O fascismo têm muitas diferenças com o que se passou cá, demasiadas para se considerar um regime fascista.
É que quer estivessemos a ganhá-la ou a perdê-la, a ideia era mesmo esconder a guerra, ou desprezá-la do quotidiano. Isso vai contra o pilar militarista do fascismo.
E esconder derrotas militares, é outra coisa.
Sim, os sistemas de igual ideologia têm diferenças de país para país...
Mas a meu vêr, isso não invalida o facto de o Estado Novo ser um regime fascista.
Mas pronto, isso tem a ver com a perspectiva de cada um...
Por mim, até o chamava de comunista, porque para mim, como já o disse acima, tanto um como o outro (para mim pelo menos), são iguais...
Mas fico-me pela semântica política actual...
O que o governo central estava a pedir era inconstitucional.
Quer dizer... Inconstitucional...
Se eu te pedir que me emprestes o teu carro, e tu mo emprestares, não há ilegalidade, uma vez que o fazes de livre vontade...
Agora, se eu te pedir que o faças e tu digas que não, se eu continuar a insistir, pegando à força na chave do teu carro, por exemplo, tu vais à bófia, levam o caso a tribunal, e tu ganhas...
Isto é uma analogia que eu fiz, em relação àquilo...
O governo central pediu um favorzinho, esperando que AJJ reagisse com um sentido de solidariedade... Ele poderia concordar, e dizer que sim...
Mas não o fez... Em vez disso, disse que não, e o governo central disse que sim, que o faria à força se tal fôsse necessário...
AJJ foi a "tribunal", e ganhou...
Foi isto, pelo menos da forma como vejo.
É bem simples. Os madeirenses apenas viram-no como um ataque à Madeira. O que não é uma interpretação tão descabida como isso.
Como alguém disse antes, os Madeirenses confiam no AJJ. E essa situação apenas veio a reforçar essa ideia. Foi mesmo muito mal jogado...
Bom... eu não acho que haja um sentimento anti-continente por parte dos madeirenses... Não o noto, até muito pelo contrário...
AJJ e o seu regime são separatistas, uma coisa que o povo madeirense não é... Os madeirenses querem continuar a ser portugueses, e isso é claro. Já se fizeram sondagens, e até agora, a grande, mesmo grande maioria opõe-se à independência.
Agora, em relação àquilo de cima, da inconstitucionalidade... Foi um jogo mal jogado do governo central? Não sei...
Mas que deu o fôlego que AJJ precisava, isso deu, sem dúvida.
Os madeirenses confiam no AJJ... sim... mas já começa muita coisa a mudar...
Por exemplo, no Funchal, na cidade da ilha, as coisas já são mais equilibradas... o apoio a AJJ tem caído ao longo do tempo, embora pareça ter recuperado um pouco...
Perdeste-me agora... Então dizer a verdade é uma jogada populista? Dizer que uma lei é incostitucional quando até é, é populismo?!
E o governo central não pediu nada. Se tivesse apenas "pedido" não haveria motivos para ir a tribunal, pois não?
Pois... foi como te expliquei mais acima... O governo central agiu de boa fé, esperando que houvesse da parte de AJJ um sentido de solidariedade... Mas tal não aconteceu, não porque AJJ se importava com o dinheiro, mas sim com o facto de tal situação abrir-lhe uma porta para ganhar mais popularidade, numa altura em que a mesma estava a caír, devido às revelações na imprensa local de alguns "casos estranhos", claro, relacionados com dinheiro, muito dinheiro.
Esta, é claro, é a minha opinião... É a minha interpretação do assunto.
Tens que ter isso em conta, assim como o facto de eu não gostar do caramelo...
Pá, eu concordo contigo.
O problema é que o governo central também têm participação em vários grupos media (e não estou a falar só da rtp). E depois vários jornais regionais (a nível de conselhos) têm também parte do seu orçamento vindo de câmaras.
Daí a relutância em fazer uma lei que proibisse o estado ou qualquer empresa estatal/fundos publicos de ter participação em jornais, rádios, etc. Ou que restringisse só à RTP.
Desculpa, mas isto é diferente... O Jornal da Madeira, agora o "Pravda" regional, era uma instituição privada, da igreja católica...
O governo regional, como resultado da ligação com a igreja, financiou o referido jornal com dinheiro dos contribuintes, e não foram os pequenos subsídios normais... Estamos a falar de carros de luxo e resultantes despesas de combustível, pagas às pessoas do topo naquele jornal, por exemplo...
Mesmo dando prejuízo, o jornal continuava, financiado não pelo lucro (que não existia), mas sim devido ao dinheiro dos impostos...
O próprio conteúdo do jornal é manipulado.
O próprio AJJ tem uma secção no jornal, onde vai lá descarregar as frustrações, não só contra a oposição e contra o governo central, mas também contra os outros jornais regionais que não "cooperam".
Como se isso já não fôsse suficiente, o "Pravda" agora é distribuído gratuitamente, incluindo nos autocarros do Funchal (gerida por uma companhia política), e nos serviços públicos do Estado. Aliás, ainda há pouco tempo, AJJ declarou que nos serviços do Estado, só seria permitido o "Pravda"... os outros jornais estavam banidos dos edifícios públicos.
Não sei se ficou assim, se está a ser aplicado, mas que uma declaração destas é grave numa democracia, é.
A gratuitidade do "Pravda" é uma tentativa de estrangular os poucos jornais, que não são de borla, e que ainda são independentes em relação ao regime...
Isto é gravíssimo.
A gestão de lares, não é um serviço do estado. Não há nenhuma lei que diga que isso é uma função exclusiva do estado.
Não estou a dizer isso. Para mim, o Estado até pode entregar a gestão de um lar ou de outra coisa qualquer a uma empresa privada, que desde que as coisas sejam bem feitas, não vejo quaisquer problemas... O problema é quando se mete a religião pelo meio.
Logo não é deixar a Igreja entrar no estado.
Eu não tenho essa opinião.
Não vejo mesmo qualquer ameaça.
É mesmo só a gestão do lar, tu próprio disseste que não sabes se estão a fazer discriminação por afiliação religiosa por exemplo. Não é mesmo nada de especial.
Eu não concordo. Digamos que a instituição religiosa de facto, como dizes, é super-correcta e age de forma laica, respeita os tais princípios, etc.
Isso não invalida o facto que, uma existente essa ligação, está em causa a separação da igreja do Estado.
Haverá sempre uma atmosfera de desconfiança... Não é possível determinar se tal aproveitamento religioso dos recursos estatais é realidade.
Para além do facto de alguém, por exemplo, de outra religião ou sem religião, não gostar do facto de um serviço público do Estado estar a ser gerido por uma entidade religiosa.
A laicidade do Estado tem de estar garantida, e se não o é por imperativo legislativo, deveria pelo menos, sê-lo por imperativo ético.
Outra analogia... um juíz que trabalha, que exerce as suas funções no tribunal A, comete um crime na cidade onde está localizado esse tribunal...
Ele não pode ser julgado no tribunal A, mas sim num tribunal B da mesma hierarquia, com sede mais próxima...
Isto porquê? Por causa da imparcialidade...
Como o gajo trabalha no tribunal A, há o receio de que possa "puxar uns cordelinhos", de forma a ser beneficiado...
Mesmo que ele não tenha intenção de o fazer, esse princípio deverá ser respeitado. É por isso que tal está garantido na lei.
Mesmo que a entidade tenha intenção de ser correcta, a imparcialidade deve estar sempre assegurada.
Não é. Nós somos "o doente da europa" é se ser realista neste momento.
Cuidado... olha que os americanos chamaram de "doente do Ocidente" à Europa... e olha como a situação é hoje...
Não é a Europa que está doente...
Esperemos para ver...
A Espanha teve também muitos problemas. A diferença está que eles consolidaram as contas públicas e reformaram o sector publico, no fim dos 90s. O estado não é um fardo do outro lado da fronteira.
E quando disse aquilo, não é desprezando essa situação, mas mais em resposta ao tom de congratulação dos resultados, que dá ideia que é um feito. Ainda é muito pouco, ainda significa que o nosso país ainda não vai assim tão bem.
Não estou a dizer que se realizou um milagre, ou que tudo está resolvido... Mas caramba... o próprio P.R. e as instituições internacionais dizem que Portugal está numa situação melhor do que estava em 2005...
Se isso não é nada...
Como disse acima, não estou a pedir resultados já. Agora, os actuais resultados ainda não são nada de especial.
Mesmo não...
Mas pelo menos, já não tão negativos como eram... Esperemos que continuem a melhorar...
Além que é como disseste com a UE a crescer os efeitos tardaram a chegar... Com a UE a estagnar, como será ? Só a Bélgica (prepara-se para o fazer) e Portugal, acho eu, é que ainda não reveram as estimativas de crescimento em baixa.
A estagnação da economia da UE é uma possibilidade, face à recessão que se avizinha (e que, na minha opinião já é uma realidade, embora tal não se reconheça oficialmente, por imperativos políticos) nos EUA...
Mas a economia da UE está a crescer bem, o desemprego está no nível mais baixo de sempre... E olhando para as previsões, ninguém com credibilidade está a dizer com 100% de certeza que tal irá acontecer...
Agora, se tal acontecer, sim, é óbvio que irá, mais cedo ou mais tarde, afectar a economia portuguesa.
A alternativa seria receitas extraordinárias no curto prazo. Que discutivelmente podia não ter sido tão má ideia. A subida da carga fiscal pode ter tido efeitos recessivos na economia.
Bom... este governo aumentou os impostos que aumentou, e o país está a crescer a 1,8%... E, segundo as previsões, continuará a crescer pelo menos a 2% este ano...
Os EUA têm sempre os impostos mais baixos, mas desde o ano 2000, já sofreram duas recessões (com esta, é a terceira...).
Acho que as coisas não são tão lineares assim...
Olha para o norte da Europa, para os países nórdicos que têm uma carga fiscal algo significativa, e vê lá se eles não estão bem...
Se a despesa esteve sempre a subir, como é que não foi pelo lado da receita que o défice desceu ?
A receita não são só impostos... Há também as exportações, que aumentaram...
Algumas dívidas importantes foram pagas...
O PIB também aumentou...
Enfim, há muita coisa que influencia o défice orçamental de um país, e que de certeza uma pessoa mais informada em economia poderá explicar.
Não me vou aventurar naquilo que não sei...
É bastante preocupante. Não sei se leste a noticia que deixei, mas não têm sido as únicas.
O respeito pelo contribuinte vai descendo e descendo...
Resolver a coisa é ir a tribunal para quêm pode, e pedir o dinheiro de volta. O que demora tempo e só enche mais os tribunais.
Pois... enfim, é a vida.
Porquê o espanto? Não sei tudo...
Admito a minha ignorância em certas coisas...
Não sou uma wikipédia ambulante.
Inflação significa a subida de preços muito basicamente. Não é bem um termo técnico...
Eu sei o que é a inflação, agora o que não sei é qual é o efeito que tem a despesa aumentar mais que a inflação...
Para além do óbvio do Estado gastar mais, tem mais algum efeito que seja relevante e que afecte a economia de forma significativa?
Era a isso que eu me referia.
Não, em geral não desconfio. Simplesmente desconfio da interpretação.
E a parte da sustentabilidade é simples. O défice têm descido à custa do aumento da receita. Por isso, se por alguma razão a receita não aumentar como esperado, o défice dispara outra vez.
Pois... esperemos que isso não aconteça.
Huh ? Pá, era só para dar a ideia que responderia. Isto é a conversa da treta, sempre foi sempre será.
A vida é uma treta pá...
Se levas tudo muito a sério, não sobrevives...